Comunicado do MPLA

Cota
0014.000.019
Tipologia
Comunicado
Impressão
Policopiado
Suporte
Papel comum
Autor
MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola
Remetente
Viriato da Cruz e Mário de Andrade
Data
Idioma
Conservação
Bom
Imagens
2
Observações

Foi publicado no 1º Vol. de «Um amplo Movimento...»

Acesso
Público

Comunicado do MPLA
[policopiado – original em francês]

MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA
(M.P.L.A.)

COMUNICADO

A recente ascensão do Congo à independência, integrada no processo geral de descolonização do continente africano, levou os colonialistas portugueses ao desespero.
Os fascistas, responsáveis pela política colonial portuguesa, não cessam de afirmar que pretendem ficar para sempre donos das suas «províncias do ultramar»...
Para fazer face às reivindicações nacionalistas expressas pelos movimentos clandestinos de Angola, e em particular pelo M.P.L.A., o governo português mobilizou todo um aparelho militar e repressivo.
No âmbito de uma «acção militar preventiva», os portugueses multiplicam as patrulhas e a instalação da força aérea para proteger as fronteiras congo-angolana e rodesiana.
Os postos fronteiriços importantes, como Teixeira de Sousa, Noqui, Maquela do Zombo e Macolo são fortificados com os mais modernos aeródromos militares.
As autoridades militares elevarão em breve o efectivo dos soldados portugueses em Angola para 60.000 homens. Torna-se evidente que o colonialismo português prepara cuidadosamente o extermínio do povo angolano.
Já chamámos a atenção da opinião mundial para as medidas criminosas que estão em vigor no nosso país: envenenamento sistemático dos alimentos de consumo, detenção arbitrária das populações negras, intensificação da prática do trabalho forçado, deportação para os campos de concentração.
Ultimamente – as agências de imprensa assinalaram-no a 6 de Julho – as tropas portuguesas efectuaram novas expedições nos bairros de Luanda (capital de Angola) e nos arredores. Entregaram-se a sevícias e exações contra a população, incendiaram casas e torturaram mulheres e crianças. Com a crueldade que os caracteriza, os soldados portugueses chegam a quebrar com raiva os aparelhos de rádio que pertençam a pessoas suspeitas de ouvirem as emissões da República do Congo.
Durante a primeira quinzena do mês de Junho, as autoridades coloniais efectuaram 52 detenções em Luanda, Lobito, Malange, Dalatando, nomeadamente entre os funcionários do Caminho-de-Ferro de Benguela.
Um líder do M.P.L.A., Agostinho Neto, médico e poeta, foi preso nessa ocasião pelo próprio Director da Gestapo de Luanda (P.I.D.E.).
O nosso camarada Agostinho Neto já fora preso durante dois anos em Lisboa e fora condenado pelos tribunais portugueses em 1956, sob a acusação de actividades subversivas contra o regime fascista de Salazar.
Mais tarde, a 26 de Junho, o Padre Pinto de Andrade, doutor em teologia, Chanceler do Arcebispado de Luanda, membro do Conselho Executivo da Sociedade Africana de Cultura (S.A.C.), personalidade bem conhecida em Angola pelas suas tomadas de posição anti-colonialistas, também foi detido; chegou a Lisboa onde foi encarcerado na prisão do Aljube.
É evidente que a polícia pretende levar estes dois nacionalistas angolanos a tribunal, como foi o caso de 50 outros que estão sendo julgados actualmente, à porta fechada, pelo tribunal militar de Luanda.
Eis a resposta que um colonialismo acossado dá à declaração que o M.P.L.A. acaba de dirigir ao governo português. Aqui está como Portugal, país colonialista e retrógrado por excelência, o mais atrasado da Europa, visa criar em Angola o clima de uma nova Argélia.

Conakry, aos 12 de Julho de 1960
Pelo Comité Director do
Movimento Popular de Libertação de Angola
Viriato Cruz
Mário de Andrade

Endereço: Caixa Postal 800 – Conakry – República da Guiné

Comunicado do MPLA, ass. Viriato da Cruz e Mário de Andrade. Tem no verso um apelo para a libertação de Agostinho Neto e de Joaquim Pinto de Andrade

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